Tempo Litúrgico: Quaresma - Cor Roxa

Na linguagem corrente, a Quaresma abrange os dias que vão da Quarta-feira de Cinzas até ao Sábado Santo. Contudo, a liturgia propriamente quaresmal começa com o primeiro Domingo da Quaresma e termina com o sábado antes do Domingo da Paixão.

A Quaresma pode se considerar, no ano litúrgico, o tempo mais rico de ensinamentos. Lembra o retiro de Moisés, o longo jejum do profeta Elias e do Salvador. Foi instituída como preparação para o Mistério Pascal, que compreende a Paixão e Morte (Sexta-feira Santa), a Sepultura (Sábado Santo) e a Ressurreição de Jesus Cristo (Domingo e Oitava da Páscoa).

sexta-feira, 11 de setembro de 2015

SETEMBRO – MÊS DA BÍBLIA

Por quê? O mês de setembro foi escolhido como mês da Bíblia porque no dia 30 de setembro é dia de São Jeronimo. São Jeronimo foi um grande biblista e foi ele quem traduziu a Bíblia dos originais hebraicos e grego para o latim, que naquela época era a língua falada e usada na liturgia da Igreja. Hoje a Bíblia é ao único livro que está traduzido em praticamente todas as línguas do mundo. A Bíblia é o livro mais vendido no mundo! Setembro 2015 - vamos aprofundar o Evangelho de João. O Lema escolhido é “Permanecei no meu amor para dar muitos frutos” (15, 8-9). Há alguns anos, um padre missionário em outro país recebeu a notícia de que seu pai estava com câncer. A doença já estava num estágio muito avançado. Não havia mais recursos. O padre viajou e ficou ao lado do pai. Este viveu por mais seis meses. Nesse tempo, o filho, que estava ao lado dele, sentia-se totalmente impotente e muitas vezes reclamava com Deus, que parecia ausente e distante. Era muito duro ver o pai sofrendo daquele jeito, sem poder fazer nada. Mas, alguns momentos antes de morrer, o pai virou-se e com um sorriso lhe disse: “José, muito obrigado! Sem a sua presença eu não aguentaria”. Nesse instante, o padre ficou surpreso e compreendeu o mistério do sagrado: o estar junto, o cuidado amoroso com o outro, mesmo não compreendendo. “Amem-se uns aos outros. Assim como eu amei vocês, que vocês se amem uns aos outros!” (Jo 13,34). A comunidade do Discípulo Amado é chamada a assumir o amor até as últimas consequências. A vivência do amor como sinal do discipulado de Jesus é a principal herança que o Evangelho de João transmite à sua comunidade e que chega até os nossos dias: da mesma forma que padre José deixou tudo para estar com seu pai, cada pessoa da comunidade é chamada a viver esse cuidado amoroso para com as irmãs e os irmãos. E diríamos mais: um amor extensivo a todas as pessoas, independentemente de etnia, classe, religião e sexo. Só o amor é capaz de ultrapassar as diversas formas de preconceito que impedem o relacionamento entre as pessoas. Essa comunidade era constituída por pessoas de diferentes grupos, culturas e mentalidades: judeus, discípulos de João Batista, galileus, samaritanos, mulheres, estrangeiros, doentes, pobres, ricos. Pessoas chamadas a viver a nova aliança, baseada no amor e na solidariedade universal. A Bíblia não é uma relíquia que você guarda no armário, ou deixa aberta em cima de uma mesa até as folhas ficarem amarelas. Não! A Bíblia é a palavra de Deus vivo no meio de nós. Então, este mês a Igreja está nos convidando a abrir a Bíblia, ler a Bíblia e deixar a Bíblia tocar nossos corações para virarmos verdadeiras testemunhas de Jesus Cristo, nosso irmão e Salvador. Para ajudar-nos, a reflexão sobre o Evangelho de São João tem cinco encontros que vão nos ajudar a entender melhor a palavra, para viver melhor com nossos irmãos e irmãs. No primeiro encontro: entender, a partir da reflexão do episódio das bodas de Caná (Jo 2, 1-11), a nova e definitiva aliança realizada em Jesus. A falta do vinho – alegria, bênção de Deus – simboliza o sofrimento do povo por causa de uma religião ritualista, da ausência de relações de amor e cuidado. Que se este encontro nos ajude a reavivar a nossa aliança com o Deus da Vida, a descobrir qual o vinho que falta em nossas comunidades, e que possa reforçar o nosso compromisso com a construção de uma sociedade justa e solidária. Segundo encontro: (Jo 4,1-42) um convite para nos sentarmos à beira do poço de Jacó e, junto com a mulher samaritana, dialogar com Jesus e aprender dele a superar as barreiras e os preconceitos que nos impedem de ser irmãs e irmãos uns do outros. Que tenhamos a coragem de deixar nosso jarro e aprender o que significa adorar em espírito e verdade, e, como fez a mulher samaritana, aprender que o diálogo é fonte de comunhão e de conversão. Terceiro encontro: (Jo 10, 1-18) espelhando-nos no exemplo de Jesus, o bom Pastor que da a vida por suas ovelhas, somos convidados a reavivar nosso chamado a promover e defender a vida ameaçada, e a rever se a nossa liderança conduz para a liberdade ou para a dependência e passividade. Quarto encontro: (Jo 13, 1-20) mais uma vez vamos nos debruçar sobre o texto do lava-pés e deixar que o gesto profético de Jesus inspire a nossa vida e missão. Com o tema amar e servir, vamos reforçar nossa consciência de que o seguir Jesus implica assumir a prática do amor-serviço e concretizar relações de cuidado recíproco nos meios em que vivemos. Quinto encontro: (Jo 20, 11-18) o fato de Jesus estar vivo, presente na comunidade, é a certeza que impulsionou o seu testemunho cristão e continua nos impulsionando e nos enviando em missão. Que o encontro entre Jesus e Maria Madalena nos conduza a fazer a nossa experiência de ressurreição. E que possamos hoje e sempre proclamar: “Eu vi o Senhor!”. O Evangelho de Joao traz o testemunho de uma comunidade que procurou ser fiel ao projeto de Jesus. O texto está em nossas mãos! Que a leitura, o estudo, a reflexão e a oração a partir desse Evangelho nos ajudem a encontrar caminhos para vivenciar o projeto de Jesus, e continuar fazendo espaço para que o verbo se faça carne entre nós!

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